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A Luta das mulheres que vivem com HIV/AIDS (MVHA)





Por Credileuda Azevedo, representante suplente do MNCP Ceará e ativista pelo Direitos das mulheres


O Movimento Nacional das Cidadãs POSITHIVAS - MNCP é um movimento brasileiro de Mulheres que vive com HIV e Aids, atuante em todo território nacional.

O MNCP, tem como missão 'promover ações para fortalecimento integral de mulheres vivendo com HIV/AIDS com foco no acesso à informação e na garantia dos direitos humanos' , contribuindo desde 2004, na resposta da epidemia da Aids no Brasil.


As vulnerabilidades das Mulheres Vivendo com HIV/AIDS (MVHA), são multifatoriais, sendo tanto no campo biológico como no campo estrutural.



No primeiro, o vírus e o uso prolongado dos ARV causam efeitos que afetam a qualidade de vida dessas mulheres, como alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, que causam cardiopatias.

Também há distúrbios hormonais que provocam a menopausa precoce, osteoporose e diabetes.

As alterações neurocognitivas estão dentre os agravos vivenciados por essas mulheres.

Um efeito adverso que afeta fortemente a saúde e a vida delas é a lipodistrofia, que gera uma distribuição desordenada de gordura atingindo braços, pernas, bumbum, rosto, pescoço, abdômen, costas e seios, provocando baixa auto-estima e o não reconhecimento e aceitação da própria fisionomia em uma sociedade que cultua corpos perfeitos bombardeados pela mídia.


No campo estrutural, vale ressaltar que as MVHA, são brancas, não brancas, indígenas; jovens, adultas e idosas; heterossexuais, lésbicas ou bissexuais; da cidade, do campo das águas e das florestas; de várias profissões e religiões, letradas, analfabetas, com deficiências, ricas ou pobres, dentre tantas outras.

Dessa forma, nessa diversidade existem diversos obstáculos que se apresentam levando em conta os contextos vivenciados, assim como os locais onde vivem e trabalham. Estes fatores extrapolam o agente viral, como as desigualdades de gênero, de raça, de classe social, violações dos direitos sexuais e reprodutivos, o estigma e discriminação e outros determinantes que potencializam a suscetibilidade ao adoecimento.


São muitos e diversos os desafios e no contexto social-econômico e político atual, em que muitas conquistas estão ameaçadas.

Lutamos incessantemente contra todos os retrocessos, contra todo tipo de discriminação e violações dos Direitos Humanos e dos Direitos Sexuais e Reprodutivos das MVHA. Nos últimos 24 meses em Fortaleza e no Estado do Ceará, por conta da Pandemia da COVID 19 temos recebido relatos de mulheres onde esses direitos estão sendo violados, falta de informações, de exames, de infectologistas e fechamento de serviços especializados SAE, retardando assim o tratamento, não só do HIV/AIDS como também de outras patologias, levando ao adoecimento e morte de mulheres MVHA.


Para visibilizar esses contextos, o MNCP atua de diversas maneiras, seja através de palestras, rodas de conversas, oficinas educativas e denúncias, ou em espaços de representação em ações de advocacy e incidência política, na tentativa de buscar estratégias de minimizar as vulnerabilidades existentes."


Para mais informações, acesse mncp.org.br

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