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“Menos de 50% do público infantil recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid”

Por Andrezza Araújo Queiroz, Psicóloga, integrante da Fábrica de Imagens - ações educativas em cidadania e gênero. Compõe o Fórum Permanente da ONGs pela Defesa dos Direitos das Crianças do Ceará (Fórum DCA Ceará).





“Menos de 50% do público infantil recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid”. Essa é a manchete da reportagem feita pela CNN Brasil na última sexta, 04. O atraso na vacinação das crianças chama atenção em todo o país. Com mais de três semanas do início da imunização na população de 5 a 11 anos de idade, muitas fake news, brigas políticas e ignorância colocam em risco a saúde e a vida das/dos pequenos/pequenos.

Vale sempre lembrar que as crianças são consideradas, pela Constituição Federal Brasileira de 1988, em estágio de desenvolvimento e por isso têm prioridade absoluta nas ações e políticas públicas. Isso significa que projetos, orçamentos, obras públicas devem pensar primeiramente no benefício e garantia de direitos da população infantil. Estado, sociedade, comunidade e família são responsáveis por defender os direitos de todas as crianças, sem distinção de raça, classe, credo, deficiência, gênero e orientação sexual.

Diante disso, espera-se que a vacinação infantil seja agilizada para garantir: diretamente, o direito à saúde e a vida; e indiretamente o direito à liberdade, à educação, ao lazer, ao esporte, à cidadania, à participação. Já que a imunização possibilita maior seguridade para sair de casa, mas sem deixar de lado os cuidados sanitários, como máscara, álcool em gel e evitar aglomerações.

Contudo, mais uma vez, esbarramos na ferramenta perversa utilizada pelo atual Governo para espalhar dúvidas e promover a barbariedade vendida em seus discursos: as fake news. Mães, pais e familiares estão deixando de cadastrar suas filhas e filhos na plataforma criada pelos estados, por não acreditarem na eficácia e segurança do imunizante. As vacinas livraram o Brasil de surtos de doenças, como sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, tétano, gripe, difteria, coqueluche, hepatite B, catapora, HPV, H1N1 e febre amarela ao longo de sua história. As campanhas vacinais garantiram que grande parte da população alvo estivesse imunizada, e o país com pequena taxa de contaminação.

A “novidade” das fake news, disseminada pelo bolsonarismo, retarda a estratégia para diminuir/enfraquecer a transmissão do Covid-19. No momento, as crianças formam a parcela mais vulnerável para contrair o vírus. Mesmo com os adultos, jovens e idosos vacinados, a população infantil sem imunização pode ser a porta de entrada e saída para repassar a doença. Por isso, é preciso que todas as faixas etárias e, utopicamente, 100% da sociedade brasileira e, até mundial, sejam vacinadas para evitar criação de novas variantes e mortes.

É importante deixar por escrito que embora seja um ato individual - de uma pessoa por vez para vacinar -, os efeitos da vacinação têm caráter comunitário e beneficia toda a espécie humana. É fato que vivemos em um sistema político, econômico e ideológico que preza pelo individualismo e meritocracia, talvez isso explique, em parte, a falta de empatia com outras pessoas no período pandêmico e a campanha anti vacina. Estas disseminadas, levantadas e defendidas pela figura que ocupa a vaga de presidente do Brasil e os seus/suas apoiadores/apoiadoras.

O jogo político feito pelo atual chefe de Estado brasileiro coloca em risco todas as crianças, que deveriam ser defendidas e ter direitos garantidos. Bolsonaro e seus/suas seguidores/seguidoras deslegitimam cientistas mundiais e nacionais quando contestam a veracidade da vacina em discursos e publicações oficiais. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é um órgão antigo e sério que trabalha para garantir a segurança das brasileiras e brasileiros, constantemente desacreditada e desrespeitada pelo Governo Federal.

Isso fere o direito à informação verídica e segura, além de colocar em risco vidas reais. Crianças sem vacina podem adquirir Coronavírus em estado grave e podem chegar ao óbito. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescentes (1990), artigo 14, parágrafo 1, “É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. Um trecho simples, direto e explícito que não geraria dúvidas se tivéssemos gestores sensatos, que acreditassem na ciência e no bem comum. Ao invés disso, convivemos em um sistema político e econômico baseado nos lucros, o que termina priorizando dinheiro a vida.

Os/as responsáveis por priorizar interesses ideológicos e políticos ao invés da vida e do que consta na Constituição Brasileira, devem ser punidos e arcar com as consequências de suas falas e ações.

Assim, lembro mais uma vez para mães, pais, responsáveis, professores, vizinhos, gestores públicos, a sociedade em geral que é nosso dever e obrigação garantir que 100% da população infantil brasileira seja protegida, com a vacina. É um direito de TODAS as crianças terem sua saúde e vida preservadas. Peço para os gestores públicos sensatos, conscientes e que se posicionam contrário aos discursos negacionistas e de morte do atual presidente e seus/suas seguidores/seguidoras, que pensem em estratégias para garantir o cumprimento do calendário vacinal dos cidadãos de 5 a 11 anos de idade. Medidas como passaporte de vacina, maior acesso aos locais de vacinação, compra de imunizantes, campanhas contra a desinformação.

Mães, pais e responsáveis vacinem suas crianças, garantam um retorno às aulas e demais atividades presenciais seguro. Elas têm muita vida pela frente, não deixe que embates econômicos, políticos e ideológicos interrompam suas vivências. Isso tudo diz respeito a algo mais importante: a defesa da vida.

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